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Planejamento financeiro anual: entenda sua importância

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Você sabia que a taxa de mortalidade das empresas brasileiras está entre as maiores do mundo? Pois é, quase 60% dos negócios são encerrados em menos de 5 anos de existência, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A principal razão você já deve imaginar: a falta de planejamento financeiro anual.

O planejamento financeiro sistematiza a forma pela qual os objetivos financeiros serão alcançados. Ele reduz a imprevisibilidade do futuro, oferecendo, de forma antecipada, caminhos alternativos para que a organização consiga manter a sua sustentabilidade no longo prazo.

Essa “bússola” do gestor financeiro envolve projeções de vendas, custos, receitas e lucro com base não somente no estudo de variáveis macroeconômicas que impactam o negócio, mas também em integração de áreas-chaves (como Marketing e Compras), que sinalizam em quantas “rotações por minuto” a empresa vai rodar no ano seguinte.

Quem não planeja, flutua ao sabor da sorte. Hoje você vai descobrir quais as iniciativas e estratégias a considerar para ter um planejamento financeiro anual de excelência! Confira!

Faça projeções de vendas com base em uma visão global do mercado

Em uma era em que tendências, produtos e tecnologias evoluem em ritmo extremamente acelerado, projetar o futuro de maneira lógica não é uma das tarefas mais simples.

No caso das vendas, essa atividade preditiva pode ser ainda mais complicada, considerando que interferências externas (como aumento de juros ou inflação) podem mudar o rumo do fluxo de caixa da empresa. Mas é possível fazer uma boa previsão de vendas e, com isso, dar muito mais realismo ao seu planejamento financeiro anual.

A projeção de vendas é o epicentro de uma série de entradas e saídas na companhia. Custo com insumos, receita bruta, gastos com folha de pagamento, tudo depende dessa variável. Dessa forma, você deve dedicar atenção especial a esse aspecto de seu planejamento, seguindo as seguintes diretrizes:

  • agregue dados estatísticos de suas vendas passadas: média de vendas/mês e suas flutuações sazonais devem estar presentes em sua análise;
  • pesquise sobre as perspectivas econômicas para o próximo ano: projeção do PIB, taxa de desemprego, juros e inflação mudam muito o poder de compra de seu cliente;
  • cruze esses dados com os objetivos da empresa no próximo exercício: quais as ações de marketing planejadas, metas de captação de clientes, percentuais idealizados para redução de churn etc.

Pois bem, veja que você tem em mãos o desempenho passado, a estimativa das mudanças econômicas do exercício seguinte, além daquilo que sua empresa pretende fazer para vender mais. Agora é hora de partir para as análises qualitativa e quantitativa, muito utilizadas na projeção de vendas.

Análise qualitativa

Essa etapa do planejamento financeiro anual baseia-se no conhecimento empírico dos envolvidos na área comercial. Pode incluir, por exemplo, pareceres de um comitê executivo (formando por gestores de vendas, diretoria estratégica e de marketing), dentro de um método chamado Delphi.

Delphi é uma ferramenta de obtenção de consenso. Consiste na entrega de uma série de perguntas aos entrevistados, que devem respondê-las de forma anônima.

A cada turno, as respostas em comum vão sendo filtradas e aprofundadas, gerando novas rodadas de questionários até que se chegue a uma pauta comum. Esse método pode ser aplicado no planejamento financeiro anual para ajudar a estimar a previsão de vendas.

Deve-se também recorrer a pesquisas de mercado, testando hipóteses de aceitação de preços e novos produtos.

Análise quantitativa

Complementar a anterior, você pode usar a média móvel exponencial das vendas dos anos anteriores, análise das sazonalidades históricas, Modelo Sazonal de Winters, entre outras análises matemáticas que indiquem o nível de venda, flutuações de tendência e sazonalidade, questões cruciais a um planejamento financeiro anual.

Como muitos desses cálculos não são fáceis, você pode recorrer a aplicativos de previsão de vendas que, a partir da inserção dos dados, já fazem todos esses cálculos para você.

Estime o custo dos estoques com base em informação 360°

Não é novidade para nenhum empresário que estoque significa dinheiro parado. Assim, o ideal é que a organização trabalhe de forma customizada, produzindo cada item a partir de cada pedido.

Entretanto, como esse Just in Time é praticamente impossível para a maioria dos segmentos, resta montar um ecossistema de previsão de custos de estoque o mais próximo possível da realidade.

Você deve ter uma política de estoques que priorize agilidade, flexibilidade e racionalidade. Isso implica alinhar suas previsões de compras de acordo com indicadores atuais que evitem desperdícios.

A partir disso, defina o nível de estoque mínimo de cada matéria-prima, bem como seu ponto de pedido ideal (momento que, quando alcançado, gera um novo pedido de compras), giro dos estoques (quanto tempo um estoque demora para ser renovado) e taxa de perdas no ano.

Troque a previsão de endividamento pela facilidade do adiantamento para matéria-prima

Inserir estratégias de adiantamento para compra de matéria-prima no planejamento financeiro anual é ideal às empresas que trabalham sob encomenda, por exemplo.

Quem trabalha com produção customizada (e, portanto, sem estoques), costuma utilizar o valor pago pelo consumidor para suportar os custos de fabricação do próprio produto encomendado. Porém, e quando o cliente paga somente ao final? Como manter a sustentabilidade do negócio?

Nessa situação, o “adiantamento para matéria-prima” é uma alternativa inteligente para regularizar o fluxo de despesas.

Isso porque essa estratégia antecipa os recebíveis para compra à vista dos insumos, o que, por sua vez, garante maior poder de negociação junto aos fornecedores para o recebimento de descontos. Ou seja, é uma maneira sagaz de fazer negócio sem se endividar.

Como a compra à vista de matéria-prima costuma ser de 10% a 20% mais barata do que a aquisição a prazo, você teria uma “gordura” para compensar a taxa descontada pela empresa de soluções financeiras nessa operação (que, inclusive, é muito mais baixa do que as do crédito pessoa jurídica dos bancos).

Uma saída — fora do óbvio — como essa, faz a diferença no planejamento financeiro anual, já que aumenta a liquidez do fluxo de caixa, reduz custos operacionais e injeta agilidade nos prazos de entrega.

Recorra a “operações vendor” para estender o prazo de pagamento a fornecedores

Quando uma empresa compra uma mercadoria a prazo, nem sempre consegue ajustar a data do primeiro pagamento ao seu fluxo de caixa. Isso a obriga a retirar capital de outros lugares ou, em se tratando de PME, às vezes até a deixar a conta corrente no cheque especial por alguns dias.

O problema é que operações de crédito como essas são praticamente proibitivas, e se você conseguiu uma condição interessante junto ao fornecedor nos dias que sua conta ficou no vermelho para pagar a primeira parcela da matéria-prima, certamente anularam as vantagens que você tinha conseguido inicialmente no processo de negociação.

Na correria da rotina, essa matemática global não costuma ser percebida pelos gestores financeiros das organizações, e o resultado, no médio prazo, você já sabe qual é.

Diferentemente do adiantamento de custo de insumos, se nesse caso o que você precisa é tão somente ampliar um pouco o prazo de pagamento ao fornecedor, o caminho mais estratégico é recorrer à flexibilidade de uma operação vendor.

Com essa solução desburocratizada, uma parceira especialista em antecipação de recebíveis adianta à vista o valor ao fornecedor, fixando uma data de pagamento mais alongada para você. Isso facilita o planejamento financeiro anual e evita que a empresa entre nas armadilhas dos bancos.

Provisão para Devedores Duvidosos (PDD)

Trata-se de uma reserva de valores, feita no início de cada exercício, com o objetivo de proteger o caixa da empresa contra a inadimplência. Em um momento em que temos 63 milhões de endividados, é preciso lançar essa variável em suas planilhas como se fosse uma despesa líquida e certa.

Você pode chegar a esse valor aplicando um percentual sobre a previsão de receitas. O índice utilizado pode ser descoberto mediante análise da taxa de inadimplência média em sua área de atuação.

Em resumo, um planejamento financeiro eficiente deve analisar o cenário externo, ter ciência do que a empresa objetiva para o ano, e não abrir mão do desempenho passado.

Além disso, é preciso considerar as variáveis econômicas e, é claro, prever estratégias de captação que resultem em capital de giro com agilidade e a possibilidade de fazer negócio sem se endividar. A antecipação de recebíveis cai como uma luva nesse contexto.

Agora que você compreendeu os elementos fundamentais de um planejamento financeiro anual, que tal avançar para a execução, descobrindo agora como fazer uma gestão financeira eficiente na empresa? Sucesso e até o próximo link!

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