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Setembro Amarelo e a importância do acesso à informação

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O mês de setembro traz consigo a campanha de prevenção ao suicídio conhecida como setembro amarelo. Portanto, decidimos usar o espaço do nosso blog para falar um pouco sobre como a informação pode ajudar nessa campanha, e como você pode usar essa ferramenta para salvar vidas.

A era em que vivemos é conhecida como A ERA DA INFORMAÇÃO. Todas as dúvidas podem ser sanadas com um toque na tela de um smartphone, ou até mesmo perguntando ao aparelho. Informações que poderiam levar meses para ser encontradas em pilhas de livros de uma biblioteca, se tornaram instantâneas nos provedores de busca, provendo milhares de resultados para uma simples pergunta.

Em virtude de todo esse acesso a informação, nossa sociedade tem se tornado cada vez mais ciente do todo e isso tem nos ajudado a resolver problemas mundiais. Porém, toda essa informação tem o poder tanto de nos maravilhar quanto de nos preocupar.

Buscando Informação

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no mundo. Para efeito de comparação, a capital da Paraíba, João Pessoa, tem pouco mais que 800 mil habitantes. Isso dá uma média alarmante de uma pessoa cometendo suicídio a cada 40 segundos!

Segundo o mesmo relatório da OMS, esta é a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, perdendo apenas para acidentes de trânsito. Além disso, o relátorio mostra também que a taxa de suicídios entre homens é quase o dobro do que a das mulheres. E se pegarmos apenas os números do Brasil, a taxa é de 5,3 pessoas para cada 100 mil habitantes, além de ter maior incidência em brasileiros que são diagnosticados com transtorno bipolar.

Engana-se quem pensa que suicídios ocorrem mais em países considerados subdesenvolvidos. Num apanhado geral, a maior taxa pra cada 100 mil habitantes – 11,5 pessoas – é a dos países considerados ricos.

Os dados são avassaladores e nos mostram que o suicídio não é algo ocasional e raro, mas sim um problema real que aflige pessoas do mundo todo, independente de idade, gênero ou classe social. Mas, e o que podemos fazer com todos esses dados?

Setembro Amarelo

Em setembro de 1994, um jovem americano chamado Michael Emme de apenas 17 anos, tirou a própria vida dentro daquilo que considerava o seu xodó, um Ford Mustang 1968 amarelo. Dentro do carro havia também um bilhete que isentava qualquer pessoa da “culpa” pelo que ele havia feito e apontava a hora em que ele cometeu suicídio: 23h45min, exatos 7 minutos antes de seus pais chegarem em casa.

Nunca houve um diagnóstico médico para assegurar o que levou Michael a esse extremo. O término recente de um namoro havia o deixado abalado, mas para familiares próximos esse fato não seria motivo para o suicídio, afinal, ninguém fica feliz após o término de um relacionamento. O provável é que Michael sofria de depressão e por não ter conhecimento da doença, não buscou ajuda. Isso fez com que ele acreditasse que tirar a própria vida seria a melhor solução.

Muito querido na vizinhança, Mike tinha muitos amigos, que encheram sua casa em questão de horas. Foi quando o pai de Michael decidiu que a tragédia do seu filho não seria em vão e resolveu confeccionar cartões com um laço amarelo – cor do carro preferido do seu filho – que foram deixados em uma cesta durante o velório. Esses cartões acabaram espalhando-se pela cidade, tornando-se uma grande campanha de prevenção ao suicídio, ocorrendo sempre durante todo o mês de setembro, com foco no dia 10.

Imagem do cartão feito pelos pais de Mike Emme
Cartão confeccionado pelos pais de Mike Emme que deram origem a campanha.


O caso de Michael exemplifica bem os sinais de alguém que pode cometer suicídio. Outrossim, segundo os dados, Michael estava no grupo de risco sendo um jovem de 17 anos, homem e com um provável quadro depressivo. Além disso, a inabilidade em entender o que estava acontecendo em sua mente e com seus sentimentos fez com que Michael não buscasse ajuda profissional, algo que poderia ter mudado o desfecho da história.

Fica evidente então a importância da disseminação da informação. Quantos casos poderiam ter sido evitados se TODOS prestássemos mais atenção aos sinais? Quantos Michaels poderiam ter sido salvos?

Busque ajuda

Apesar de parecer algo repentino – e as vezes é – existem alguns sinais comuns que podemos ficar atentos para ajudar quem precisa. Entre eles:

  • Dores e sentimentos de inutilidade;
  • Choro sem razão aparente;
  • Alteração no sono;
  • Tristeza persistente;
  • Perda de interesse em atividades que outrora davam prazer;
  • Pensamentos suicidas.

Esses sentimentos normalmente acometem pessoas que estão nessa situação de uma maneira que não enxergam uma saída e não conseguem entender que isso é uma doença psiquiátrica que altera algumas funções do cérebro. Ou seja, a pessoa está tendo uma visão distorcida da realidade”, onde uma tristeza crônica a sufoca a ponto de perder qualquer vontade de viver. Mas é necessário entender que existe tratamento e que com a ajuda de medicamentos e psicoterapia, o quadro pode ser revertido. É preciso buscar ajuda e incentivar pessoas que apresentem esses sinais a fazer o mesmo. Uma vida melhor sempre a espera, basta ter ao lado pessoas que auxiliem e apoiem quem passa por este momento.

Se você apresenta alguns desses sinais, procure ajuda!

Ligue para aquele seu amigo e desabafe, converse, exponha o sentimento. Se possível, busque acompanhamento profissional. O Sistema Único de Saúde (SUS) fornece através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs) atendimento psicológico gratuito para quem precisa. Existem também Organizações Não Governamentais (ONGs), como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que se dedicam exclusivamente ao apoio emocional e a prevenção de suicídios, com um número de telefone gratuito (188) e voluntários prontos para ajudar.

E se você conhece alguém que pode estar passando por esta fase, não deixe de orientá-lo. Não apenas durante a campanha do Setembro Amarelo, mas sempre que for possível. Qualquer ação, por menor que seja, pode salvar uma vida!

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