Quem investe em renda fixa costuma buscar mais segurança para a carteira. No entanto, se você tolera um pouco mais de riscos em troca de maior rentabilidade, os títulos de créditos privados podem ser uma alternativa interessante.

Além disso, eles podem ser úteis para compor uma carteira diversificada e focada em superar a inflação alta. Antes de investir, no entanto, é importante conhecer as alternativas disponíveis no mercado e suas características para guiar as suas decisões.

Neste artigo, você conhecerá os títulos de créditos privados que podem ser alternativas de investimento no cenário de inflação alta em 2022. Continue a leitura e confira!

Como fica o mercado em um cenário de inflação alta?

A inflação representa o aumento generalizado dos preços de bens e serviços. Ela é medida por uma taxa baseada em indicadores que podem utilizar diferentes metodologias. Além disso, esse fenômeno representa a média do aumento em toda a cesta de produtos e serviços no período de análise.

Devido a essas características, o dinheiro tende a perder valor e poder de compra ao longo do tempo. Assim, sua capacidade financeira pode se tornar menor se a sua remuneração não acompanhar ou superar a inflação.

No aspecto econômico, uma inflação baixa ou moderada tende a estimular o mercado. Isso ocorre porque a maior demanda pode incentivar a produção, gerando crescimento. Por outro lado, um cenário de inflação alta pode ter resultados bastante negativos, especialmente para quem tem menos renda.

Desse modo, também há riscos de que uma inflação alta resulte em uma queda no padrão de vida, além de causar restrições no dia a dia. Vale destacar que esse tipo de cenário também é mais difícil de prever, aumentando o risco da economia do país.

Assim, o contexto pode desestimular o investimento e a produção. Outro ponto importante é o fato de que os produtos de um país que sofre com altas taxas inflacionárias podem ficar menos competitivos que os importados.

Quais são os efeitos da inflação alta sobre a renda fixa?

A inflação impacta não apenas a economia e o mercado como um todo, mas também os investimentos. Dependendo do comportamento desse indicador, o desempenho do mercado financeiro pode ser diferente.

Por exemplo, a inflação alta pode elevar a Selic — a taxa básica de juros da economia. Como consequência, a rentabilidade nominal de diversos títulos de renda fixa pode subir. No entanto, nem sempre a Selic supera o patamar da inflação.

Nesse caso, um investimento que rende 100% da taxa básica de juros pode ter rentabilidade abaixo da inflação. Na prática, seu patrimônio deixa de evoluir — na verdade, ele passa por uma contração e perde poder de compra.

Para facilitar a compreensão, é válido pensar na relação entre inflação e um dos investimentos mais populares — a caderneta de poupança. Como o rendimento dessa aplicação costuma ficar abaixo da Selic anual, se a inflação acumulada está elevada, a poupança gera um retorno real negativo.

Por que investir em títulos de créditos privados?

Como você viu, em um cenário de inflação elevada, é importante se atentar ao desenvolvimento do seu patrimônio. Uma forma de obter mais rentabilidade sem deixar de investir em renda fixa é por meio dos títulos de créditos privados.

Afinal, eles oferecem potencial de ganhos maior que outras aplicações de renda fixa, como os títulos públicos. Também há opções isentas de Imposto de Renda, o que pode melhorar a rentabilidade líquida e ajudar na performance da carteira de investimentos.

Outro ponto positivo é o fato de existirem opções com diferentes características. É possível encontrar alternativas com rentabilidade, prazo e nível de riscos variados. Isso aumenta as chances de escolher um título alinhado às suas expectativas e necessidades.

Além disso, os títulos de créditos privados aumentam as oportunidades de diversificação da carteira. Logo, você pode mitigar riscos e compor um portfólio que atenda às suas necessidades em diferentes prazos.

Onde investir em um cenário de inflação elevada?

Depois de aprender mais sobre os títulos de créditos privados, é importante conhecer as alternativas disponíveis no mercado. Confira as características de alguns deles:

CRI e CRA

O certificado de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA) são títulos emitidos por securitizadoras. Eles têm lastro nos mercados correspondentes, ou seja, imobiliário e do agronegócio.

A securitizadora faz uma espécie de empacotamento dos direitos creditórios das empresas e os disponibiliza no mercado para os investidores. Na prática, funcionam como uma forma de financiar companhias desses setores em troca de uma rentabilidade preestabelecida.

Esses títulos podem ter uma remuneração prefixada, pós-fixada ou híbrida. Nos dois últimos casos, é comum que acompanhe o CDI (Certificado de Depósito Interbancário, cuja taxa é próxima à Selic) ou a taxa de inflação.

Já o resgate dos títulos costuma ocorrer apenas no vencimento da aplicação, mas existem casos em que é possível receber juros anuais ou semestrais. Outra característica do CRI e CRA é a ausência do Imposto de Renda sobre os rendimentos.

Debêntures

As debêntures são títulos emitidos por empresas que desejam captar recursos financeiros em determinadas situações. Então funciona como se os investidores emprestassem dinheiro para a companhia e recebessem uma remuneração.

Em relação aos rendimentos, as debêntures podem ser prefixadas, pós-fixadas ou híbridas. Em geral, elas são alternativas de longo prazo, em que o dinheiro precisa ser mantido até o vencimento do título.

Ademais, nas debêntures comuns, há cobrança de Imposto de Renda, que segue a tabela regressiva. Já nas debêntures incentivadas há isenção do tributo, pois são utilizadas para financiar investimentos em áreas consideradas essenciais para a economia brasileira.

FIDC

O fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) é um veículo de investimento coletivo que visa aproveitar as oportunidades do crédito privado. O patrimônio do fundo é administrado por um gestor.

A maior parte dos recursos são utilizados para a aquisição de direitos creditórios, como cheques, empréstimos, duplicatas, entre outros. Assim, a empresa pode antecipar seus recebíveis e melhorar o fluxo de caixa.

A rentabilidade também pode variar conforme a estratégia do fundo, assim como as taxas aplicadas. Por fim, vale saber que há cobrança de Imposto de Renda, de acordo com a tabela regressiva.

Agora você sabe que, em um cenário de inflação elevada, o investimento em títulos privados pode ser interessante. Antes de escolher as alternativas que farão parte da sua carteira em 2022, analise as características das aplicações e considere o seu perfil e objetivos.

Gostou das informações? Então complemente a leitura e aprenda a calcular a rentabilidade de um título de renda fixa!